GLA | Gusmão & Lima Advogados
Escala 6x1 no Senado: O Cronograma Que Define o Prazo de Adequação da Sua Empresa
Voltar para o Blog

Escala 6x1 no Senado: O Cronograma Que Define o Prazo de Adequação da Sua Empresa

08 de junho de 2026
por GLA Advogados

Escala 6x1 no Senado: O Cronograma Que Define o Prazo de Adequação da Sua Empresa

Atualizado em 11 de setembro de 2026. Em 2 de setembro, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1. O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), manteve integralmente o texto aprovado pela Câmara. A votação em plenário, porém, foi adiada no mesmo dia: sem segurança sobre os 49 votos necessários, a base do governo recuou, e a expectativa agora é de votação apenas após o primeiro turno das eleições, em outubro.

A proposta está a um passo do plenário — e, se aprovada sem alterações, segue direto para promulgação. Empresas que esperarem a promulgação para iniciar a adequação podem ter apenas 60 dias para reorganizar operações inteiras. Este artigo organiza o cronograma atualizado da tramitação, explica por que a promulgação é o gatilho dos prazos e mostra por que a incerteza do calendário é o melhor argumento para começar agora.

Aviso: a proposta ainda não é lei. Aprovada na Câmara e na CCJ do Senado, ela ainda depende de votação no plenário do Senado. Os prazos descritos refletem o estágio da tramitação em 11 de setembro de 2026 e podem mudar.

O essencial em 30 segundos

  • A CCJ do Senado aprovou a PEC em 2 de setembro de 2026, em votação simbólica, com quatro votos contrários registrados.
  • O relator, Omar Aziz, manteve o texto da Câmara sem alterações e rejeitou as 12 emendas apresentadas. A CCJ também aprovou um calendário especial, que elimina intervalos regimentais e acelera a votação em plenário.
  • A votação em plenário foi adiada e deve ocorrer após o primeiro turno das eleições, em outubro. São dois turnos, com exigência de 49 votos em cada.
  • Como o texto não foi modificado, se o plenário aprovar sem alterações, a PEC vai à promulgação — sem voltar à Câmara.
  • Os prazos de transição só correm a partir da promulgação — não da aprovação na Câmara, na CCJ ou no plenário do Senado.

Para o conteúdo da PEC e o plano de adequação, veja Fim da Escala 6x1: o que muda com a jornada de 40 horas. Para o mapeamento de riscos, veja Nova Jornada e Fim da Escala 6x1: o mapa de riscos trabalhistas. Aqui, o foco é a tramitação e o prazo.

A linha do tempo até aqui

DataO que aconteceu
27/05/2026Câmara aprova a PEC em dois turnos — 472 a 22 no primeiro, 461 a 19 no segundo
28/05/2026Texto chega ao Senado e fica aguardando despacho
Jun–jul/2026Proposta permanece parada; recesso parlamentar de meados de julho passa sem votação
14/08/2026Alcolumbre assina o despacho e envia a PEC à CCJ
27/08/2026Relator Omar Aziz apresenta parecer favorável, mantém o texto da Câmara e rejeita 12 emendas
02/09/2026CCJ aprova a PEC e um calendário especial; votação em plenário é adiada no mesmo dia
Outubro/2026 (previsão)Votação no plenário do Senado, em dois turnos, após o primeiro turno das eleições

O que travava a proposta era o despacho — e, depois dele, o parecer na CCJ. Os dois obstáculos caíram. O que resta é a votação em plenário, e ela depende agora menos de rito regimental e mais de quórum e de decisão política sobre a data.

Por que a data continua em aberto

Dois movimentos puxam o calendário em direções opostas.

Aceleram: o Executivo trata o tema como prioritário e o governo estima contar com cerca de 53 a 54 votos, acima dos 49 necessários. O calendário especial aprovado na CCJ elimina os interstícios regimentais, o que permite votar os dois turnos em intervalo curto assim que a matéria for pautada. E, como o relator não alterou o texto, a proposta não precisa voltar à Câmara se for aprovada como está.

Atrasam: a margem é considerada estreita, e a votação de 2 de setembro foi suspensa justamente por falta de segurança no quórum, após esvaziamento do plenário atribuído à oposição. Parte dos senadores defende que a discussão ocorra fora do período eleitoral. A inclusão na pauta depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Há ainda propostas alternativas em circulação — a PEC 12/2026, com jornada flexível negociada individualmente, entre elas. E, se o plenário alterar o texto, a proposta retorna para nova votação na Câmara, alongando o processo.

Para ser promulgada, a PEC precisa de três quintos dos senadores — 49 votos — em dois turnos. Se aprovada sem alterações, pode ser promulgada pelas mesas das duas Casas.

Por que a promulgação é o seu relógio

Este é o ponto que mais gera confusão nas empresas: os prazos de transição não correm da aprovação na Câmara, na CCJ ou no plenário do Senado, e sim da promulgação da emenda. A partir dela:

EtapaQuandoJornada
1ª etapa60 dias após a promulgação42 horas semanais + dois dias de folga
2ª etapa14 meses após a promulgação40 horas semanais

O escalonamento consta do texto aprovado pela Câmara (Câmara dos Deputados) e foi mantido pelo relator na CCJ. Enquanto não há promulgação, a obrigação legal não muda. Mas, no instante em que a emenda é promulgada, o relógio de 60 dias para a primeira adequação começa a contar — e 60 dias é pouco para reorganizar uma operação inteira, redesenhar escalas e negociar com o sindicato.

O texto prevê ainda exceções relevantes: profissionais que recebem acima de 2,5 vezes o teto do INSS, turnos ininterruptos de revezamento de seis horas, escalas 12×36 e serviços essenciais com regime de compensação dentro do mês. Lei complementar tratará da transição para microempreendedores individuais e pequenas empresas.

A incerteza é o argumento contra esperar

A leitura estratégica é contraintuitiva. Justamente porque a data da promulgação é incerta, a empresa que vincula o início do planejamento à promulgação terceiriza o próprio cronograma ao calendário do Senado. E o Senado não avisa com 60 dias de antecedência.

Receba os próximos artigos por e-mail

Conteúdo novo de GLA Advogados direto na sua caixa de entrada. Sem spam.

Assinar newsletter →

A tramitação recente ilustra bem: a PEC ficou 78 dias parada aguardando um despacho, destravou em uma sexta-feira sem aviso prévio ao mercado e, menos de três semanas depois, foi aprovada na CCJ. Com o calendário especial já aprovado, os dois turnos no plenário podem ser votados em sequência curta assim que a matéria entrar em pauta — e a promulgação pode vir logo em seguida.

A empresa preparada faz o contrário: usa a janela atual, antes da votação em plenário, para mapear escalas, simular os cenários de 42h e 40h, redesenhar turnos e modelar o banco de horas e preparar a negociação coletiva. Assim, qualquer que seja a data da promulgação, chega adaptada — sem precisar correr nos 60 dias seguintes. Esperar o desfecho não reduz o trabalho de adequação; apenas o comprime num prazo menor e mais arriscado.

Para dimensionar o impacto na sua folha antes de qualquer decisão, use o simulador do fim da escala 6x1.

Conclusão: prazo legislativo incerto pede preparação certa

A tramitação no Senado tem desfecho politicamente provável, mas calendário imprevisível. Para a empresa, isso inverte a lógica do "esperar para ver": quanto menos previsível a data da promulgação, maior o valor de já ter o plano de adequação pronto na gaveta. A decisão estratégica não é apostar em uma data — é eliminar a dependência dela.


Como a GLA Advogados acompanha isso por você

A GLA Advogados monitora de perto a tramitação da PEC no Senado e assessora empresas para que o cronograma legislativo não as pegue desprevenidas. Traduzimos cada movimento da tramitação em implicação prática para o seu negócio e estruturamos o plano de adequação — diagnóstico de escalas, simulação de cenários, banco de horas, negociação coletiva e revisão de contratos.

Para acompanhar a tramitação com leitura jurídica especializada e preparar a sua empresa, fale com a equipe trabalhista da GLA Advogados.

Perguntas frequentes

A escala 6x1 já está proibida? Não. A PEC foi aprovada na Câmara em maio de 2026 e na CCJ do Senado em 2 de setembro de 2026. Só passa a valer após aprovação no plenário do Senado, em dois turnos, e promulgação da emenda.

Em que fase a PEC está agora? Aprovada na CCJ, aguardando votação no plenário do Senado. A CCJ também aprovou um calendário especial para acelerar essa etapa.

Quando o plenário do Senado vota? Não há data oficial. A votação prevista para 2 de setembro foi adiada por falta de segurança no quórum, e a expectativa é de que ocorra após o primeiro turno das eleições, em outubro. A inclusão na pauta depende do presidente do Senado.

Se o Senado aprovar, já vale? Se o plenário aprovar o texto sem alterações — como fez a CCJ —, a emenda pode ser promulgada. Se houver qualquer modificação, a proposta retorna à Câmara para nova votação.

A partir de quando conta o prazo de adequação? Da promulgação da emenda: 42h e dois dias de folga em 60 dias; 40h em 14 meses. Antes da promulgação, nada muda na obrigação legal.

Vale a pena esperar a decisão do Senado para começar? Não é recomendável. Como o prazo da primeira etapa é de apenas 60 dias após a promulgação — cuja data é incerta —, começar o diagnóstico e a simulação agora evita ter de reorganizar a operação sob pressão.


Conteúdo informativo, atualizado em 11 de setembro de 2026, com base no texto aprovado pela Câmara dos Deputados, no parecer aprovado pela CCJ do Senado e no estágio da tramitação. Não constitui parecer jurídico. Cada situação deve ser avaliada individualmente. Fontes: Câmara dos Deputados, Senado Federal, CBIC.

Precisa de orientação jurídica especializada?

Solicite uma análise do cenário jurídico trabalhista da sua organização.

Solicitar Análise Jurídica